Vamos
para as curvas! Neste capítulo, mostraremos as forças
que atuam na moto na hora de contorná-las
Subir
na moto é muito mais do que "usar um veículo".
Traçar curvas, acelerar e frenar, seja em um simples scooter
ou em uma superesportiva, é algo que se "vive",
porque envolve a física. Faça com sua moto um suave
slalom e veja como as suspensões se comprimem e se estendem
em cada mudança de direção, repare como muda
a sensação de peso sobre a moto e curta esses momentos
de "ausência da força da gravidade". Agora,
imagine como seria fazer essa mesma manobra com um carro: incômodo,
lutando contra as inércias dentro do veículo que tenta
nos chacoalhar. Na moto, as forças da física jogam
a nosso favor e nos permitem desfrutar do equilíbrio em cada
momento.
Essas
sensações, além de uma relação
mais estreita e direta com o meio ambiente, sobretudo quando o clima
é amigável, são as que transformam um "simples
andar de moto" em pura paixão. Por isso, você
poderá encontrar nos domingos pela manhã grupos de
pessoas viajando com suas motocicletas,compartilhando suas paixões
sobre duas rodas ou abaixados por detrás de suas carenagens
entrelaçando seus traçados. Mas para fazer tudo isso,
de forma correta e sem riscos para nós ou para os demais,
é necessário contar com alguns conhecimentos de base
e um certo treinamento. Exatamente por isso que nós lançamos
esta série de técnicas de pilotagem. A motocicleta
gera muita diversão e prazer, mas com muita segurança,
acima de tudo.
Todas
essas ações que comentamos exigem um certo esforço
de nossa parte, tanto mentalmente, para saber exatamente o que devemos
fazer em cada situação e também o que não
devemos fazer nunca, como fisicamente, pois pilotar uma moto exige
um trabalho físico que pode chegar a ser considerável
em certas circunstâncias. Cedo ou tarde, melhor cedo do que
tarde, chegaremos a uma zona de curvas e deveremos reduzir nossa
velocidade para que seja adequada à curva que vamos nos defrontar
e à visibilidade que tenhamos. Por isso, as motos têm
freios, e estes são um dos elementos mais potentes no veículo,
já que são capazes de detê-los em muito menos
tempo do que necessita um motor, por mais potente que seja, para
acelerar a essa mesma velocidade.
A
preponderância da frenada deve ser para o freio dianteiro,
já que sobre essa roda recai a maior parte da carga. Entretanto,
a roda traseira ainda se mantém em contato com o solo e as
reduções de marchas e a retenção do
motor também ajudarão nessa frenada. Chegando às
curvas, manteremos os freios acionados, mas ao mesmo tempo queremos
iniciar o contorno da curva. Nosso corpo tensiona e o pé
começa a apoiar o peso do corpo na pedaleira interna para
ajudarmos a moto a mudar de trajetória. Mas a moto parece
resistir a tudo isso enquanto mantemos os freios acionados: a direção
está "dura".
A
maioria das motos tem essa tendência de levantar e abrir as
trajetórias, se tocamos no freio dianteiro. O motivo disso
está diretamente ligado a um "par" de forças
que são geradas quando estamos com a moto inclinada e que
não coincidem com as forças criadas no momento da
frenagem. A união dessas forças faz com que a direção
tenda "fechar" e isso faz com que a moto queira levantar
e sair na tangente. Lembra-se do capítulo anterior, no qual
informamos que se você vira o guidão para um lado a
moto vai para o outro. É o famoso contra-esterço.
Assim, o piloto deve fazer mais força no guidão para
que a moto siga na trajetória desejada. No caso de motos
de competição, com a telemetria instalada, essa força
do piloto no guidão chega a ser de 25 kg! Deve-se ter consciência
de que existem diversas forças "rondando" seu equilíbrio.
Se a frenagem é muito forte ou aumenta-se a potência
de repente, essas forças serão desiquilibradas e você
poderá "perder a frente".
Aí
vem a famosa expressão: a frente fechou, pois a roda vira
demais para dentro da curva. Esse é um bom motivo para não
deixar para frear muito em cima da curva, ter sempre uma certa margem
de segurança e chegar à curva com a redução
de velocidade já feita. Bom, mas além de frear temos
de reduzir as marchas, e adequar nossa velocidade para o que vem
a seguir. A retenção do motor é muito importante
na fase de entrada da curva e terá uma influência decisiva
de como será nossa inclinação, o traçado
obtido e sua precisão. Se entramos com uma marcha muito curta
e com o motor em alto giro, teremos muita retenção
e chegaremos ao ápice da curva muito lentos; sendo obrigados
a corrigir o traçado levantando a moto, ou pior, acelerando
o motor com o giro muito alto e brusco. É algo que ocorre
facilmente em serras bem sinuosas e com pilotos de pouca experiência
e muita "vontade". Este reduz para uma marcha muito curta,
deixa o motor em alta rotação, cria traçados
irregulares e tem a velocidade em curva muito baixa (e inseguro).
Se
esse é o seu caso, melhor optar por uma marcha a mais que
uma a menos. No outro extremo, se entrarmos com uma marcha longa
demais ou sempre frenamos sem reduzir, chegaremos à curva
com pouca retenção e nos dirigiremos ao ápice
da curva muito rápidos e "soltos". Se não
deitarmos com decisão, a força centrífuga abrirá
a trajetória tirando a moto do traçado ideal. Depois
de termos frenado, reduzindo a marcha, soltamos os freios e vamos
"para dentro" da curva! Nessa fase da curva, o importante
é entender que, apesar de espetacular, na realidade esse
é o momento no qual há menos forças em jogo.
Não há aceleração nem frenagem, simplesmente
"deixamos correr" a moto pela trajetória eleita.
A uns 100 km/h constantes (sem aceleração), é
exercida apenas uma tração de 8 cv. Especialmente
por isso, que o mais delicado é o contato da roda dianteira
com o solo, pois essa recebe a maior parte do apoio. Pensar em uma
derrapada da dianteira, nesse caso, seria fatal!
Até mesmo um piloto experiente precisará de muita
sorte, além de tentar apoiar o joelho com força no
chão para não cair.
Mas
não tenha medo, porque os pneus modernos são capazes
de agüentar inclinações incríveis. Com
o asfalto normal e limpo e a temperatura do pneu ao redor de 35º,
pode-se deitar mais de 50º com uma esportiva de ponta. Em uma
naked, trail ou touring, normalmente, já estaremos raspando
"tudo" antes de atingirmos o limite de contato do pneu
com o solo. Quando estamos rodando com motos desses estilos, com
um limite conhecido e mais perto de ser atingido, devemos evitar
fazer entradas de curvas bruscas, mas seguir por trajetórias
mais suaves. Em uma entrada brusca, podemos perder o poder de retificar
um traçado levemente e também as suspensões
podem afundar repentinamente, aumentando a possibilidade de raspar
alguma parte no chão. E a única coisa que deve "apoiar"
no chão são os pneus. Como vimos anteriormente, durante
o contorno da curva, só nos arriscamos a perder a frente
por excesso de apoio. Essa fase deve ser a menor possível,
porque depois de soltarmos os freios, podemos dar gás o mais
rápido possível. Aí já estamos na saída
da curva e o risco de perdermos a frente passa a ser bem menor,
mas deveremos ter cuidado com leves empinadas. Se quisermos manter
o traçado sem abrirmos demais a curva, e seguir acelerando,
deveremos exercer uma força sobre o guidão, mas na
parte de fora da curva, da mesma forma que fazemos quando entramos
na curva com os freios acionados, especialmente o dianteiro. Com
a roda dianteira saindo do solo, o raio de giro aumentrá
e a trajetória tenderá a abrir. Assim sendo, depois
de passarmos pelo ápice da curva, ponto mais interno e lento
da curva, gás!
Devemos
abrir o gás, mas com a delicadeza necessária conforme
a situação, porque até mesmo um pneu traseiro
mais "pegajoso" é capaz de digerir uma pequena
quantidade de tração em plena inclinação.
Não podemos nos esquecer que esse já está sofrendo
as forças de aceleração lateral. Quanto mais
inclinados estivermos, menos poderemos acelerar e vice-versa. Se
ao acelerarmos o pneu traseiro começar a derrapar, notaremos
rapidamente principalmente se estivermos com uma marcha curta engrenada.
Isso não é uma corrida, então, se começarmos
a ignorar todos os sinais que recebemos da moto (leves rebotes de
traseira, tendência de fechar a curva, motor acelerando etc.)
e seguirmos acelerando não poderemos nos desculpar porque
acabaremos no chão. Veremos mais adiante o quanto poderemos
acelerar e inclinar, derrapando, com cada tipo de moto. Qual é
a melhor forma de traçar uma curva de pois de saber tudo
isso? Nós veremos mais para a frente, mas a essa altura deveremos
ter certeza de que o mais interessante é prever a entrada
de curva o máximo possível. É chegar, cortar
a aceleração, frenar, reduzir as marchas e, com uma
velocidade relativamente baixa, virar e deixar o ápice da
curva para trás. Dessa forma, poderemos acelerar rápido
e forte para sairmos catapultado para a próxima curva, elegendo
a trajetória de saída que mais nos convenha, em função
do tráfego e da estrada que estivermos rodando. Isso é
muito importante em curvas à direita, porque se entrarmos
em uma dessas curvas muito rápido, quando acelerarmos abriremos
o traçado e nos deslocaremos rumo à pista em sentido
contrário, ou seja, na contramão. Além de todas
essas dicas para conduzir em curvas, podemos também mexer
nas motos para incrementar na segurança ou no estilo de pilotagem.
Por exemplo: se quisermos uma moto confortável para passear,
regulamos as suspensões de forma mais suave e mole. Em contrapartida,
se a intenção é andar esportivamente, devemos
endurecer os hidráulicos das suspensões e alterar
a pré-carga das molas para obtermos uma resposta mais precisa
para mudar de direção.
Fonte:
www.motociclismomagazine.com.br
|